Dados da iniciativa do Pasto ao Prato apoiam estudo da Mighty Earth sobre a carne do Grupo Mateus
Leia o relatório completo

Registros de produtos no aplicativo do Pasto ao Prato contribuíram para uma investigação da Mighty Earth sobre a carne vendida pelo Grupo Mateus. Ao conectar informações das embalagens a outras bases, o estudo identificou fornecedores e analisou riscos socioambientais, mostrando como a participação cidadã pode apoiar a transparência da cadeia.
Relatório utiliza registros do aplicativo do Pasto ao Prato para identificar fornecedores e analisar riscos socioambientais associados à carne vendida pela rede, reforçando o papel da informação na construção de uma cadeia mais transparente.
Como conhecer melhor a cadeia de fornecimento da carne vendida nos supermercados? A conexão entre registros de produtos, informações sobre frigoríficos e dados sobre seus fornecedores ajuda a responder a essa pergunta. Também oferece subsídios para que empresas identifiquem riscos e aprimorem suas práticas de compra.
Esse é o ponto de partida do relatório Grupo Mateus: por trás das prateleiras, publicado pela Mighty Earth em julho de 2026. A investigação utilizou dados da iniciativa do Pasto ao Prato (dPaP), combinados com outras fontes, para analisar a carne comercializada em lojas da rede.
O trabalho exemplifica uma das contribuições do dPaP: tornar informações sobre a cadeia da carne acessíveis e úteis para pesquisas, análises e decisões de diferentes atores do setor.
O levantamento reuniu 430 produtos de carne bovina registrados em 38 lojas do Grupo Mateus. Os códigos de inspeção sanitária presentes nas embalagens permitiram identificar 107 unidades frigoríficas associadas aos produtos da amostra.
Os registros feitos por usuários e voluntários no aplicativo ajudam a conectar a unidade que processou a carne ao ponto de venda onde o produto foi encontrado. Essa participação amplia o conhecimento sobre a comercialização de carne no Brasil.
Na investigação, a Mighty Earth também utilizou seu sistema Rapid Response para cruzar informações sobre frigoríficos, movimentações de animais e áreas de desmatamento.
Essas fontes têm funções complementares. O registro da embalagem identifica a unidade processadora. Já o cruzamento de outras bases — como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), as Guias de Trânsito Animal (GTAs), os mapas de uso e cobertura da terra e os resultados de auditorias dos Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) — permite examinar conexões e riscos socioambientais em sua cadeia de fornecimento, como exposição ao desmatamento e vínculos com empregadores incluídos na lista suja do trabalho análogo à escravidão.
Com base nos indicadores do aplicativo do Pasto ao Prato, o levantamento da Mighty Earth apontou que 54% dos produtos da amostra receberam as classificações “ruim” ou “muito ruim”. A investigação também identificou ao menos nove unidades frigoríficas fornecedoras da rede com vínculos diretos ou indiretos com empregadores incluídos na lista suja do trabalho análogo à escravidão.
Os resultados se referem à amostra e às informações disponíveis no período analisado. Indicadores associados a um frigorífico ajudam a avaliar sua cadeia de fornecimento, mas não demonstram, por si só, que cada produto processado naquela unidade veio de uma propriedade com irregularidades.
O relatório também aponta lacunas na divulgação de compromissos e critérios de compra do Grupo Mateus à época da investigação. Tornar essas informações públicas permite acompanhar como as empresas identificam riscos, selecionam fornecedores e avaliam os resultados de suas políticas.
Uma cadeia mais transparente depende da participação de produtores, frigoríficos, supermercados, governos e sociedade civil. Cada um tem responsabilidades específicas e informações que podem contribuir para compreender o percurso da carne.
Os supermercados ocupam uma posição importante nessa conexão. Ao estabelecer critérios de compra, acompanhar o desempenho dos fornecedores e divulgar compromissos e resultados, podem estimular melhorias que se estendem aos demais elos.
Para o dPaP, a transparência oferece uma base para esse trabalho. Dados acessíveis ajudam empresas a reconhecer pontos de atenção, pesquisadores a aprofundar análises e organizações a acompanhar avanços. Também permitem que o diálogo sobre sustentabilidade se apoie em evidências.
O estudo sobre o Grupo Mateus mostra como a participação cidadã e a conexão de diferentes fontes podem produzir conhecimento sobre a cadeia. Transformar esse conhecimento em práticas mais responsáveis exige colaboração, acompanhamento contínuo e compromissos verificáveis.
Informação é
poder de mudança