Compromissos socioambientais
Verificamos se cada planta frigorífica possui compromissos socioambientais, seu protocolo, verificação e transparência.
Reconstruímos o caminho da carne, do pasto ao prato, de forma íntegra e verificável. Cruzamos dados oficiais de produção e abate, compromissos socioambientais, e imagens de satélite para produzir os indicadores que alimentam o aplicativo. Também usamos esses dados em conjunto com os dados coletados pelo usuário para revelar o elo final da cadeia: a conexão entre o frigorífico e a gôndola do supermercado.
Transformamos dados públicos em indicadores de impacto socioambiental e sanitário para cada planta frigorífica no Brasil.
Guias de Trânsito Animal (GTAs), mapas de desmatamento impulsionado pela pecuária (PRODES, MapBiomas) e de incêndios (BDQueimadas do INPE), Compromissos Socioambientais e Termos de Ajuste de Conduta (TAC), Lista Suja do Trabalho Escravo, e infrações relacionadas a questões sanitárias e de bem-estar animal.
Informações oficiais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ministério Público Federal (MPF) e Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Uma avaliação detalhada sobre a origem, o impacto socioambiental, e responsabilidade sanitária da proteína que chega até o consumidor.
Somos uma iniciativa movida pela colaboração. O consumidor é parte essencial da nossa metodologia ao mapear o destino final da carne.
No app, o cidadão informa o ponto de venda onde um produto está sendo vendido e sua geolocalização.
Essa colaboração revela o último elo da cadeia pecuária no Brasil, conectando o frigorífico às redes de supermercado e varejo.
Uma rede colaborativa que rastreia toda a pecuária brasileira e apoia decisões mais sustentáveis por diferentes atores dentro e fora da cadeia da carne.
Compromissos socioambientais
Verificamos se cada planta frigorífica possui compromissos socioambientais, seu protocolo, verificação e transparência.
Impacto Ambiental
Identificamos a zona de compra de gado de cada frigorífico e mapeamos o desmatamento e queimadas que ocorrem nessas zonas.
Trabalho Escravo
Cruzamos dados de movimentação de gado com a Lista Suja do Trabalho Escravo.
Sanitário e bem-estar animal
Revelamos o histórico de multas pagas por descumprimento de normas sanitárias e desrespeito ao bem-estar animal.
O aplicativo usa um documento que já existe por lei no Brasil: a Guia de Trânsito Animal (GTA). Toda vez que animais vivos são transportados de uma fazenda para outra, ou de uma fazenda para um frigorífico, esse deslocamento precisa ser registrado numa GTA. Esse documento é obrigatório pois informa as agências de defesa agropecuária de cada estado sobre o deslocamento dos animais e facilita o controle sanitário.
Através das GTAs, calculamos qual a porcentagem do gado fornecido para cada frigorífico que vem de diferentes municípios do Brasil. Quanto mais gado saiu de um município para um frigorífico, maior a importância (peso) desse município na cadeia de abastecimento desse frigorífico. O conjunto de municípios e sua importância é chamado de "zona de compra" ou "supply shed" de um frigorífico.
Apesar de as GTAs serem documentos importantíssimos para se construir a cadeia da pecuária no Brasil, seja por fins sanitários ou outros, nem todos os estados do Brasil disponibilizam esses dados publicamente. No caso de frigoríficos sem o rastro de GTAs, o dPaP usa duas soluções diferentes, dependendo do tipo de estabelecimento. Isso abrange tanto a aquisição direta quanto a indireta de gado pelo frigorífico.
Para as unidades que apenas processam ou reembalam carne, sem realizar o abate de animais, o aplicativo utiliza uma estimativa mais geral: a média de onde vem o gado abatido em frigoríficos com inspeção federal no mesmo estado. Para outros frigoríficos, usamos um modelo de aprendizado de máquina para estimar a área de compra.
O dPaP analisa o desmatamento que ocorre em toda a "zona de compra" (os volumes de gado adquiridos de cada município) e não em cada fazenda individual. Isso acontece uma vez que a abordagem de "zona de compra" é mais completa do que o monitoramento em nível de propriedade.
O monitoramento em nível de propriedade deixa de capturar 71% do desmatamento e 50% da área de pastagem na Amazônia brasileira devido a inconsistências nos registros de movimentação de animais e nos dados de propriedades (nomes de fazendas, proprietários, etc.).
Exposição ao desmatamento: ao invés de tratar o desmatamento como um evento ligado a um animal específico, consideramos que o desmatamento é compartilhado por todo o gado que compartilha a zona de compra. O desmatamento é transferido proporcionalmente ao longo da cadeia da carne bovina de acordo com os volumes comercializados. Essa atribuição do desmatamento é chamada de "balanço de massa".
O dPaP monitora e classifica os frigoríficos a partir de cinco dimensões analíticas:
A nota final atribuída aos produtos no aplicativo (que varia de Muito bom a Muito ruim e Desconhecido) resulta do cruzamento entre o risco de desmatamento na zona de compra e a capacidade de mitigação do frigorífico:
A construção dos indicadores do dPaP esbarra em desafios estruturais de transparência e governança de dados públicos no Brasil. A GTA (Guia de Trânsito Animal) é gerida de forma descentralizada por cada estado, sem padronização no formato, na periodicidade ou nas condições de acesso, e na maioria dos estados não é disponibilizada de forma pública e sistemática.
Além disso, na maioria dos estados, a GTA não traz nenhum vínculo com o Cadastro Ambiental Rural (CAR), o que impede ligar diretamente um movimento de gado a uma propriedade georreferenciada específica. Mesmo quando esse vínculo é buscado por outras vias, o acesso aos dados nominativos do CAR é limitado, dificultando a identificação. A isso soma-se a interrupção ou restrição temporária do acesso público à Lista Suja do Trabalho Escravo, outra fonte usada para monitorar irregularidades na cadeia.
Por fim, o abate informal, que escapa por definição de qualquer sistema de inspeção, permanece estruturalmente invisível a esses dados públicos, só podendo ser inferido indiretamente. Em conjunto, essas barreiras mostram que a infraestrutura de dados necessária para uma governança ambiental efetiva da cadeia da carne já existe em parte, mas está fragmentada, incompleta ou de acesso restrito. Essa é uma lacuna que limita tanto a fiscalização pública quanto iniciativas de transparência voluntária como o próprio dPaP.