A proteína consumida no Brasil e seus impactos

Mais de 70% da carne associada ao desmatamento da Amazônia e do Cerrado é consumida no Brasil.

A carne que chega à mesa do brasileiro percorre um caminho, e em cada etapa, há desafios que as embalagens não contam. Entenda mais como funciona essa cadeia e faça parte de uma iniciativa colaborativa por uma pecuária com desmatamento zero.

ConsumidoresSeu papel nessa história

No fim da cadeia, está o consumidor. E é exatamente aqui que o ciclo pode mudar. O cidadão que sabe de onde vem a carne tem poder de pressionar toda a cadeia, de forma prática, com um simples escaneamento.

Números em destaque:

  • 6.000 consumidores

    Mais de 6.000 consumidores usam o aplicativo do Pasto ao Prato para terem acesso a informações sobre o impacto da carne que estão consumindo.

  • 25.000 produtos

    Mais de 25.000 produtos já foram consultados em mais de 400 municípios em todos os estados do Brasil e municípios brasileiros.

Como o dPaP atua:

Ao escanear o código sanitário ou o CNPJ do frigorífico no app do Pasto ao Prato, você acessa dados sobre desmatamento, pontos de incêndio, trabalho análogo ao escravo e desempenho sanitário.

SupermercadosOnde a carne encontra o consumidor

O varejo é o último elo antes do consumidor e tem um papel estratégico na cadeia. Ao escolher quais frigoríficos abastecem suas gôndolas, os supermercados têm o poder de estimular práticas mais responsáveis em toda a cadeia.

Números em destaque:

  • 97%

    97% dos maiores varejistas do Brasil não possuem políticas empresariais para reduzir o desmatamento na sua cadeia da carne, segundo dados do Radar Verde.

  • 3 varejistas

    Em todo o setor varejista brasileiro, apenas Assaí, Carrefour e GPA realizam auditorias socioambientais em suas fazendas fornecedoras diretas, e essa prática ainda se restringe a biomas específicos (como a Amazônia e Cerrado).

O desafio:

A pecuária é o principal motor do desmatamento no Brasil e grande parte desse impacto chega às gôndolas sem nenhuma identificação. Os varejistas têm a capacidade de exigir rastreabilidade dos frigoríficos com quem trabalham, criando incentivos reais para uma cadeia mais transparente.

Como o dPaP atua:

Quando alguém registra um produto em um supermercado pelo app, contribui para uma iniciativa de ciência cidadã, ajudando a mapear o destino das carnes que estão sendo vendidas em varejistas de todo o país.

Quer contribuir com esse mapeamento? Cada registro no app enriquece um banco de dados aberto sobre a carne brasileira.

FrigoríficosO elo central da cadeia

O frigorífico é onde o gado se transforma em produto. É também um ponto-chave para a rastreabilidade de produtos à base animal: cada unidade de beneficiamento ou frigorífico tem um número sanitário único, como o SIF (Serviço de Inspeção Federal) ou algum outro código, que carrega o histórico de onde aquela carne foi processada. Mas a relação entre marcas e unidades não é simples.

Números em destaque:

  • 4.072

    4.072 frigoríficos e unidades de beneficiamento de todos os estados brasileiros e Distrito Federal com avaliações socioambientais disponíveis para acesso pelo app do Pasto ao Prato.

  • 2 a cada 3 bois na Amazônia

    A cada 3 bois abatidos no bioma Amazônia, 2 passam por frigoríficos com compromisso de redução do desmatamento e apenas 1 com compromisso com desempenho satisfatório.

  • 1 a cada 3 bois no Cerrado

    A cada 3 bois abatidos no bioma Cerrado, apenas 1 passa por frigoríficos com compromisso de redução do desmatamento e nenhum divulga seu desempenho.

O desafio:

A maioria dos compromissos socioambientais assumidos pelos frigoríficos cobre apenas os fornecedores diretos, aqueles que entregam o gado para o abate. As fazendas anteriores, chamadas de fornecedores indiretos, ficam muitas vezes de fora desse monitoramento. É justamente nessas etapas que os riscos mais difíceis de rastrear costumam estar.

Vale saber:

A marca na embalagem não identifica a unidade produtora. A JBS, por exemplo, opera mais de 50 unidades que produzem itens para marcas como Friboi, Bordon e Seara. Cada unidade tem um desempenho socioambiental diferente. Da mesma forma, marcas concorrentes podem compartilhar a mesma origem. Por exemplo, frigoríficos que operam sob o mesmo SIF podem fornecer tanto para marcas como Sadia e Perdigão, que, apesar de competirem nas prateleiras, podem compartilhar a mesma origem.

Como o dPaP atua:

Ao escanear o código sanitário de um produto, o app identifica a unidade frigorífica e apresenta seu histórico socioambiental.

Experimente escanear sua próxima compra. Em segundos, você vê os impactos socioambientais associados àquela unidade processadora da carne.

FazendasOnde tudo começa

Antes de chegar ao frigorífico, o gado passa por diferentes fases: a cria, onde os bezerros nascem; a recria, onde crescem; e a engorda, onde ganham peso para o abate. Esse trajeto pode atravessar vários municípios e estados, e é justamente aí que os desafios de rastreabilidade começam.

Números em destaque:

  • 3 etapas

    3 etapas são percorridas pelo gado antes do abate: cria, recria e engorda - quase sempre sem rastreabilidade completa.

  • 98%

    Em 2025, segundo o MapBiomas, de todo o desmatamento no Brasil, 98% foi destinado à agropecuária e 90% apresentou algum aspecto de ilegalidade.

  • 30 milhões

    O MapBiomas também informa que cerca de 30 milhões de hectares de pastagens no Brasil possuem baixa produção de forragens e alta presença de solo exposto.

O desafio:

Fazendas de cria e recria podem ocultar de onde veio seu gado. Muitas delas ficam em áreas remotas, o que dificulta a fiscalização. Sem rastreabilidade nessas etapas iniciais, práticas como desmatamento ilegal, trabalho análogo ao escravo e até mesmo de lavagem de gado, permaneçam ocultas, comprometendo a sustentabilidade e a ética da produção.

Como o dPaP atua:

O aplicativo usa dados como o Guia de Transporte Animal (GTA) para identificar os municípios de origem do gado. Quer entender como rastreamos a origem do gado? Nossa metodologia está aberta e documentada.